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Feliz Natal

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Reportagem sobre o negro em Pelotas-Paulo Sérgio Medeiros Barbosa

Autor/Paulo Sergio Medeiros Barbosa
== A memória é um campo de batalha.A memória é sempre social ==
== Universidade ==
Desde a minha chegada na universidade até hoje se passaram sete anos. Período marcado por conflitos internos e externos de fundo social, racial, psicológico, organizados em torno de um conjunto de fatores que juntos me estimularam a fazer vestibular. Finalmente, depois de três tentativas frustradas, no ano de 1997 ingresso na Universidade Federal de Pelotas como aluno do curso de licenciatura plena em história. — Foi uma festa! — Fiquei muito feliz, e pensei: a partir de agora vai ser mais fácil arranjar um emprego. Sou um negro, e estatisticamente me encontro entre os 2% de negros que integram o quadro estudantil universitário no Brasil. Procurei relacionar-me com todas as pessoas. Observei o fato de não haver negros no quadro de professores do Instituto de Ciências Humanas. Os negros que encontro são estudantes ou fazem parte do quadro de funcionários da limpeza, portaria e vigilância . O processo de expansão da educação entre os negros no Brasil remete-nos à figura do Estado. A escola pública universal e gratuita teve algum peso na referida expansão. “Criaram-se os cursos noturnos, pelo Decreto 7.031 de 06 de setembro de 1878. No ano seguinte, a Reforma de ensino primário e secundário instituía a obrigatoriedade do ensino dos sete aos quatorze anos e eliminava a proibição constitucional de escravos freqüentarem escolas públicas .” Meus colegas tratam-me bem. No segundo semestre do curso, uma piada onde a cor da pele é comparada à escuridão da noite, e o duplo sentido coloca o negro em situação constrangedora : — Vamo dá uma no escurinho? Silêncio na sala. Esquecer o racismo é impossível. Só se eu achar que sou branco. Em seguida, a auto-defesa recorre à linguagem: — Não é nada pessoal. — Foi apenas uma comparação. Entendo na mesma hora a força do preconceito atuando na universidade, com um agravante. Encontro-me em um espaço de conhecimento que tem como pressuposto de seu registro a escrita e que vem sendo analisado, produzido, socializado na trilha de uma racionalidade dotada de verdade científica. Fiquei decepcionado ao ser discriminado. Desestimulado por me deparar com uma realidade ainda de exclusão, me afasto do meio acadêmico, meu rendimento diminui, perco a bolsa assistência de alimentação.
== A Escola ==
Fui criado na região Oeste da cidade de Pelotas, próxima ao centro urbano. Como ocorre em todos os bairros, uma região carente em infra-estrutura e serviços urbanos.Começo minha vida escolar em 1977, em plena ditadura militar do Governo Geisel . Na sala de aula, uma rotina me chamava atenção: A reza e o hino nacional. Esses rituais escolares me acompanharam até a quinta série. Estudava numa escola próxima de casa — Escola de primeiro grau incompleto Nossa Senhora Aparecida. Lá meus colegas e eu aprendemos a História oficial do mundo. Na rua onde morávamos, o cotidiano era marcado por apelidos e xingamentos: — macaco, — suco de pneu, — cabelo bombril, — nariz de batata, — picolé de piche, mancha, entre outros. Quando a bola caia no pátio do vizinho: — o culpado é aquele negrinho. Eu e meus colegas usávamos uniformes iguais, fornecidos gratuitamente pelo Estado. Perguntava então: — o que nos diferenciava? A cor dos olhos? O cabelo? A ‘’cor da pele’’?Quando criança, não conseguia entender os motivos do tratamento diferenciado. Em casa, nada era comentado. Passava pela minha cabeça que eu era um burro e que sempre iria “me dar mal”. Tinha medo e vergonha de falar o que eu pensava. É alvo o véu que encobre o racismo das discriminações diárias, acontecimentos corriqueiros. Ele se encontra em todos os lugares: ruas, escolas, ônibus, rostos, olhares, expressões corpóreas, linguagem, disfarçado nas risadas provocadas pelos apelidos, na repreensão constrangedora aos alunos. Depois de nove anos de estudo já havia passado por duas escolas públicas. As diferenças eram cada vez maiores, a auto-estima havia acabado, continuava sentindo-me discriminado. Abandonei a escola.
== A festa e a polícia ==
Os amigos mudam, começo a ir a festas, beber, fumar. Sinto-me um adulto. Começo a freqüentar ambientes onde os negros são exceções. Tenho dificuldade em “ficar” com as meninas brancas, visto que era discriminado por ser negro e quanto às meninas negras, procuravam sempre ficar com rapazes brancos. Tento encontrar lugares onde possa me relacionar, começo a freqüentar festas black music de predominância negra. Lá mantenho minhas primeiras experiências amorosas e, assim como no carnaval , sentia-me mais à vontade pra me manifestar, inclusive corporalmente. Mas nem tudo são flores. Os policiais consideram jovens negros sempre suspeitos. — mão na parede e perna aberta negão.— o que vocês querem na rua essa hora? Um chute nos tornozelos e... — vão andando pra casa. — se eu encontrar vocês de novo. — vocês vão ver só.A ronda policial da Brigada Militar nos espaços urbanos é sempre a .expressão do medo para jovens negros. Mesmo sem nada a dever. É sempre sentido assim. A vida do escravo também vinha disciplinada nas Posturas de 1834. Era, por exemplo, preso e condenado a cinqüenta açoites o escravo que fosse encontrado à noite na rua, após o toque de recolher, sem bilhete de seus senhores. Estes deveriam pagar multa de quatro mil réis se o fato ocorresse por negligência sua.Por outro lado, uma das características marcantes na formação histórica das bandas militares é a ampla participação de negros com larga experiência musical em seus quadros. Exemplos disso: o legendário Joaquim José Mendanha (1799-1885), músico militar mineiro, talento musical entre os descendentes africanos, com larga escala na folha de serviços prestados em solo gaúcho, inclusive na Revolução Farroupilha, quando compôs o histórico Hino Rio-Grandense. Em Pelotas , ainda na metade do século XX, encontravam-se diversos músicos pretos de reconhecido valor que tiveram grande destaque nos círculos musicais da cidade. Entre eles o inesquecível Ten. João Penna. Esse músico brilhou em Pelotas e Porto Alegre. Podemos destacar ainda o Ten. Pedro da Silva Rodrigues; Ten. Normílio Fagundes de Oliveira Junior, mais conhecido pela alcunha de Nizo; Ten. Dionísio Martins de Lima; Lúcio Casimiro da Silva; Normílio Fagundes de Oliveira (pai); Arthur Chagas; Abel Joaquim Caetano e outros. Todos negros que atuaram no quadro de músicos da Sociedade Musical União Democrata (SMUD). Concluímos, diante do destaque de tais músicos, que também para a SMUD, a Brigada Militar representou durante muitos anos um espaço onde os negros, através da música, garantiriam ascensão social e os desdobramentos daí advindos (auxílio médico, pecúlio, etc).
== A carreira militar ==
Aos 15 anos fui trabalhar. Aos 17 anos morre meu pai. Quando completei 18 anos fui para o exército como voluntário. Tinha muitos sonhos. Um deles era ter uma profissão, seguir carreira militar, ajudar minha mãe. Fiz então uma prova no recrutamento e fui selecionado para a 8ªBIMZ Quartel General na Cohab Pestano. No primeiro ano, fui indicado ao curso de cabo. No Exército, o salário era compensador. Além disso, tínhamos alimentação, vestuário gratuito, lugar para dormir. O sonho aos poucos foi sendo substituído por um silêncio imposto dia-a-dia pela hierarquia da caserna, em relação aos comportamentos racistas de meus superiores. Insultos, rebaixamentos morais aos recrutas de modo geral, aos negros em especial. Não desisti, embora já tivesse clareza da força da discriminação e seus dispositivos de dominação em espaços hierarquizados e disciplinadores. Agüentei todas as humilhações. Não tinha a quem recorrer. No Exército existe um pacto de silêncio quanto ao questionamento dos maus tratos. No 9ºBTZ Regimento Tuiuti, onde fiz o curso de cabo, no bairro Fragata, próximo a minha casa, a tropa era composta de vários negros. Pensei: — aqui quem sabe as coisas possam ser diferentes. Estava enganado. Não havia negros nas patentes de oficiais, alguns entre os sargentos e cabos, e uma maioria de soldados. Não suportei. Depois de dois anos pedi minha baixa. Comparo minha passagem pelo Exército, em menor grau, aos soldados conhecidos como lanceiros negros, que lutaram no exército dos farroupilhas em troca de suas liberdades. “O negro, além de emprestar sua força de trabalho nas charqueadas, lavouras de trigo ou de linho-cânhamo, estâncias, vilas e cidades, foi um dos sustentáculos militares do Rio Grande desde sua formação”. O espaço da fábrica
Ocupando as funções de auxiliar ou ajudante continuo minha formação em indústrias e fábricas da região. Trabalho primeiro em um frigorífico de gado, e depois em um curtume. Esses locais permitem compreender a história de Pelotas cujo auge econômico encontra-se no período das Charqueadas que tinha o boi como matéria-prima. Numa outra comparação histórica, verificamos que o boi continuou sendo por muito tempo depois das charqueadas, um importante setor da economia pelotense. Cumpri, sem saber, a mesma saga dos trabalhadores escravizados nas Charqueadas, que um dia construíram com o seu trabalho os tijolos, telhas e uma imensa riqueza para poucas famílias pelotenses através da produção do charque.
== As charqueadas e as relações de trabalho escravo ==
A cidade de Pelotas surgiu em decorrência da concentração de Charqueadas ao redor do arroio Pelotas e canal São Gonçalo. O charque era o alimento dos escravos do centro e do nordeste do país, sendo, devido ao grande mercado consumidor, uma mercadoria bastante lucrativa no século XIX. Durante um longo tempo esta foi a principal atividade econômica pelotense. Gerou uma riqueza inigualável para a elite charqueadora, marcante para a história da cidade, que ainda hoje pode ser vista através dos imponentes casarões, da tradição cultural e de tantos outros exemplos que se perpetuam em Pelotas. Antes da chegada dos portugueses, o território rio-grandense era habitado por indígenas de diversas tribos. Os jesuítas criaram as reduções, locais onde catequizavam e tornavam os indígenas mão-de-obra especializada. Quando os portugueses expulsaram os jesuítas, que eram espanhóis, estes migraram para o outro lado do Rio Uruguai e deixaram no lado do Rio Grande uma grande quantidade de gado. A manada reproduziu-se, "formando rebanhos enormes", tendo como conseqüência uma grande população bovina no local. Isto atraiu para a região diversas pessoas interessadas no aproveitamento econômico do gado, especialmente os portugueses. Dessa forma, o território foi sendo ocupado. A primeira forma pela qual o gado foi aproveitado foi a preia. "Depois, o estabelecimento da povoação de animais, a estância [...]". Por fim, deu-se a "instalação de estabelecimentos de salga das carnes", também conhecidas como Charqueadas. Os primeiros estabelecimentos de salga de carnes foram formados por volta das décadas de 30 e 40 do século XVIII, quando a Coroa portuguesa iniciou as doações de terras, através das sesmarias, e instalou a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro. As concessões territoriais eram feitas, sobretudo, para as lideranças militares. Por volta de 1770, período em que as fronteiras do Estado estavam sendo delimitadas a partir do resultado das disputas entre Portugal e Espanha, iniciou a produção de carne salgada com o objetivo da comercialização. Durante mais de duzentos anos não houve interesse, de parte destes países, em relação ao território, e a situação gaúcha era de completo abandono . Entretanto, quando foi descoberta a importância do local sob o ponto de vista militar, político, religioso e econômico, em virtude de sua proximidade com o Rio da Prata, surgiu o interesse por parte das potências ibéricas de povoar a região .A primeira charqueada pelotense foi fundada em 1780 pelo português José Pinto Martins, que veio para a região sul fugindo de uma forte seca no Ceará, região na qual produzia carne seca (chamada carne de sol). Seus escravos somavam ao todo trinta e quatro, divididos em carneadores, campeiros, salgadores, sebeiros, graxeiros e de “ofícios especiais”, como alfaiate, sapateiro, tafoneiro e hortelão.A Charqueada se caracterizou pelo uso da mão-de-obra escrava, que não era muito utilizada nas estâncias. Isto porque o trabalho na charqueada era extremamente pesado. Na época de safra, os escravos tinham uma jornada de trabalho que chegava a ultrapassar 16 horas diárias . Já nos períodos de entressafra — maio a outubro — eram deslocados para as olarias, na fabricação de telhas e tijolos, e para a construção dos casarões do meio urbano. Havia dois tipos de escravos nas charqueadas: os qualificados e os sem qualificação. Os escravos qualificados eram os que estavam inseridos no processo de produção e no transporte do charque, eram a maioria entre os escravos. Os sem qualificação realizavam todos os outros tipos de serviços. Entre estes se encontravam as mulheres, em número menor do que o de homens, que participavam, sobretudo das atividades domésticas. Havia uma média de oitenta e quatro cativos por charqueada, podendo ocorrer uma leve variação do número de acordo com o período. Em Pelotas, parte do século XIX caracterizou-se, em termos populacionais, por uma ampla maioria negra. O Passo dos Negros, anteriormente Passo Rico, passou a se chamar assim devido ao comércio de escravos que ali se dava. Local de grande concentração populacional era quase uma aldeia dado o grande número de habitações que lá existiam. A riqueza e a opulência da cidade nesse século foram geradas através da força de trabalho da mão de obra escrava nas charqueadas. Os negros vinham dos mercados centrais do Brasil, eram levados até Rio Grande e depois para as charqueadas de São Francisco de Paula, onde eram submetidos a exaustivos regimes de trabalho, tratados com rigor e violência, o que ocasionava muitas fugas, suicídios, abortos, infanticídios. Outras pequenas resistências também ocorriam no dia-a-dia das charqueadas: fugas noturnas para encontros amorosos, bailes, jogos de azar e manutenção das tradições culturais e religiosas, pequenos e grandes furtos, sabotagens, confrontos corporais e assassinatos dos senhores, de sua família, dos capatazes e capitães do mato, envenamentos. Aparece, como expressão importante da resistência escrava também as insurreições e a formação dos quilombos.Assim, nos mostra o jornal Correio Mercantil em 5 de julho de 1881:
Assuntos do dia — sem sermos temeratos, sem intenções de espalhar o terror entre os nossos concidadãos, nem fazer ao longe recear pela nossa tranqüilidade podemos afoitamente dizer: — Estamos sobre um vulcão. Sim, a cidade de Pelotas, a terra da ordem e do progresso, do trabalho e da riqueza, está, infelizmente, ameaçada de uma calamidade, de uma desgraça, que compromete o seu futuro, os seus interesses, a segurança e a honra de suas famílias. O Senhor Delegado de Polícia deste termo, Major José Joaquim Caldeira, há três dias recebeu denuncia de que se tramava e caminhava em via de rápida realização uma revolta de escravos, combinados os da cidade com os da charqueada, que ao todo podem elevar a perto de 3000 ”
O charque, cuja produção chegou em alguns momentos a 54.000 cabeças por ano (apesar da média de abate ser de 20.000), determinava as características econômicas da região, que se inseria de forma subordinada ao mercado nacional, visto que o produto foi o principal alimento dos escravos pertencentes às áreas de produção do açúcar e do café, os principais produtos produzidos no país.
== Outra face da história: o retorno à escola ==
Optei por retomar aos estudos. Quando volto a estudar, procuro uma maneira rápida de concluir o 1º grau, a solução que encontro é fazer as provas do exame supletivo da delegacia de ensino.Tratei logo de fazer minha inscrição. O segundo passo foi procurar um curso supletivo que fosse gratuito, que pudesse me dar uma noção de como seriam as provas. No meu caso, faltavam duas disciplinas a Matemática e a História. Levei sorte.Logo nos primeiros dias encontro um curso supletivo preparatório gratuito com duração de seis meses.Era o que eu precisava. No curso, fui aluno de uma professora de História extraordinária que, com extrema maestria, me fez refletir sobre minha visão histórica a respeito da participação do negro na formação da sociedade brasileira, das idéias de inferioridade histórica que vinham sendo vinculadas nas instituições por onde estudei. Um dia, durante a aula, tomei a iniciativa de perguntar o que ela sabia da história dos negros fora dos livros didáticos? Ela responde:— as coisas não são bem assim. E continua:— Não foram os negros que escreveram a história oficial, mas a classe social dominante, e, mesmo na história oficial, não poderíamos negar a importância do negro na formação da cultura brasileira. Os livros didáticos mostram apenas um lado da história, o dos vencedores, mas procurando encontramos outras histórias. Fiquei muito feliz de ouvir essas palavras. Não perdia nenhuma aula . Numa aula de história do Brasil Colonial a professora, ao falar da escravidão, apresenta Zumbi dos Palmares, grande líder negro que pagou com a própria vida ao lutar pela liberdade, assim como outros milhares de negros que resistiram anonimamente à escravidão através das mais variadas estratégias de resistência. Falou ainda dos quilombos , da sua força política, de como eram organizados, e que mesmo na clandestinidade conseguiam manter relações comerciais com as províncias. Isso me deixava muito curioso. Depois disso, sempre quis saber de tudo um pouco e, como diria Heródoto "se quero saber, pergunto, interrogo.”.Comecei a pesquisar por conta própria. Queria compreender o processo histórico da colonização do Brasil, tentando entender como se deu a inserção do negro na sociedade, após a abolição.Com oito meses de estudo, concluí o primeiro grau. Queria seguir adiante nos estudos. O Supletivo foi a alternativa encontrada para recuperar o tempo perdido. Consegui uma bolsa de estudos no Colégio Supletivo Universitário no centro da cidade. Meu tio trabalhava por lá. Nessa escola conheci várias pessoas — professores, funcionários, colegas, uma amiga especial e insubstituível, Lú que partiu tão cedo para o andar de cima, nesse momento sou tomado pela dor da ausência e começo a chorar... o exercício de lembrar do passado nos mostra o quanto a nossa memória pode guardar coisas que só vem à tona se provocadas, evocadas..., pessoas que acreditavam no meu potencial e me incentivaram, me estimularam a ingressar numa universidade.
== A Universidade de novo ==
Comecei a militar em movimentos políticos dentro da universidade tão logo me deparei com a discriminação. Para alguns professores, esse envolvimento com as questões “políticas” da universidade pode ser prejudicial ao desempenho acadêmico. A escolha política no meu curso, poderia ser motivo de perseguição por parte de alguns docentes e funcionários. Em pouco tempo após uma disputada campanha eleitoral , entrei para a direção do centro acadêmico do curso de história. Não existia uma política estudantil de ação dentro do curso de História, por limitações estruturais, falta de apoio dos colegas, por intransigências de alguns professores... Não conseguimos fazer grandes realizações, e isso nos estimulou à união com outros grupos e organização uma chapa com representatividade dos mais variados cursos, para nos candidatarmos ao Diretório Central de Estudantes da UFPel. A chapa DCE para Todos venceu as eleições. Passa a dirigir o DCE. Nosso plano de lutas tinha como eixos a crítica à política neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e ao sucateamento da universidade publica; a manutenção de direitos adquiridos: transporte gratuito, alimentação, moradia estudantil gratuita e de qualidade. Paralelo a essa luta desenvolvemos uma outra proposta de campanha que visava reunir negros e negras da universidade para discutirem assuntos de interesse comum , muitos questionavam a idéia. — para que isso? — não existe racismo na faculdade.— Somos iguais e o que conta é passar no vestibular.Tentamos articular os negros pela cor da pele, processo complicado, pois até ossos dias ainda não chegamos a um consenso sobre o que é o ser negro.Um dia tive a idéia de pesquisar as origens dos meus antepassados, o que logo se mostrou uma tarefa difícil. Rui Barbosa, no começo do período republicano queimou todos os documentos referentes às origens dos africanos trazidos para o Brasil como trabalhadores escravizados. Na época, eu julgava serem esses trabalhadores escravizados, os meus antepassados. Hoje, sei que tenho na minha ancestralidade negros vindos do Uruguai, filhos diretos de uma prática de violência contra a mulher no período da escravidão — índios e bugres. Fontes escritas não me dariam subsídios para uma pesquisa. Foi impossível reconstituir minhas origens através de documentos escritos. Mas, nem diante das dificuldades me abalei.Continuei pesquisando.No inicio pensava, como meus colegas, que encontrar um tema original de grande relevância histórica deveria ser a nossa maior busca. Assim, passei dias e meses pensando sobre o que pesquisaria.
== O negro nas leituras ==
No decorrer da pesquisa, as leituras me fizeram perceber que os autores que escrevem sobre o negro no Brasil das décadas de 1970 à de 1990 trazem referências do negro ligado ao econômico e ao bélico, preferindo temas ligados ao escravismo e a escravidão; Outro tema abordado é o negro na economia agro exportadora; os atores se interessam pelo escravismo como importante fonte para entender a sociedade escravista do seu tempo através do seu sistema. Aparecem também outros estudos das formas de resistência, que eram as mais variadas. Até mesmo um aprendizado mais rápido das atividades a serem cumpridas e/ou aprender a nova língua são formas de resistência. Os autores falam dos quilombos, tema não muito explorado pela falta de documentação. Ultimamente, citam como fonte de pesquisa os documentos de inquéritos policiais. Nesses processos por crimes, os negros deixam de ser mercadoria comprada a metro e aparecem como sujeitos históricos.Procurei dentro da minha pesquisa autores que escrevem a história do negro na cidade de Pelotas. As perguntas eram muitas e as respostas começam a surgir na prática quando fui selecionado como bolsista do Museu da Baronesa.


== O Museu da Baronesa: novas descobertas ==
A oportunidade me levou a conhecer a formação do Rio Grande do Sul e de Pelotas em particular, ao lado de outros cinco acadêmicos e cinco acadêmicas do curso de história. A expografia existente no museu e a história de Pelotas a que tínhamos acesso não contemplava todos os cidadãos; o que tínhamos eram as charqueadas, o charque, os prédios, as praças e monumentos, uma história estática e linear, sem conflitos. As discussões do grupo nesse momento foram, principalmente, em busca da representação de outras histórias, que contextualizassem as relações do período, das quais o negro fazia parte enquanto escravo. Essa necessidade foi percebida mais claramente com o decorrer das visitas de pessoas dos mais variados municípios e países que os questionavam a falta dessas representações através de perguntas do tipo: – Não existiam negros na casa nesse período? O Museu da Baronesa contemplava apenas os usos e costumes da elite pelotense do final do século XIX e início do século XX. A observação das diferenças das reações por parte das crianças negras e brancas das escolas públicas ao perceberem o papel do negro nos espaços da casa nos levou a buscar alternativas para educação não-formal que aproximassem as crianças de outros elementos existentes na casa. Através do teatro onde os estagiários e bolsistas eram os atores, da oficina de dança afro que proporcionavam um contato com a cultura dos negros e a música falando do diferente no museu.
Entendendo-se que os processos de constituição de identidade ocorrem em jogos de afirmações, negações e negociações de valores, que permeiam o ideário social, as instituições e seus veículos de produção/divulgação de conhecimentos são responsáveis pela propagação/sedimentação de idéias e conceitos, pré-conceitos, ler na contra-mão o entendimento desse ideário produzido oficialmente é fundamental, quando se deseja transformar e ampliar imaginários para maior diversidade das possibilidades de reflexão sobre a pluralidade cultural e a dinâmica das identidades.
Os conflitos existiam. Um exemplo claro que nos chamou atenção era a organização dos negros em entidades, associações, clubes buscando arrecadar fundos para compra de cartas de alforrias. Após a Lei Áurea, o negro continuava buscando ocupar cada vez mais os espaços urbanos. Tendo a música, os negros buscavam espaço nas sociedades musicais da época. Os negros, excelentes músicos, especialistas em instrumento de percussão; bateristas são barrados nos clubes musicais existentes na cidade pelo fato de serem negros. Por acaso e para minha grata surpresa, num dia de limpeza da documentação, no Museu da Baronesa, encontro em um recorte de jornal, informações sobre uma sociedade musical fundada em 1886, denominada União Democrata, a primeira banda musical a permitir negros no seu quadro de sócios e executantes no seu estatuto. Essa descoberta despertou em mim uma série de lembranças relacionadas à música. Sempre quis aprender a tocar um violão. Minha mãe nunca me apoiou na busca desse aprendizado, muito pelo contrário, dizia que música era coisa de malandro e bêbado e que não me daria nenhum futuro. Na minha família, a música sempre remeteu à boemia, pois meu avô era músico e morreu na noite, tocando pelos bares.Mas foi no bloco burlesco “Tigres do Simões” que tive a primeira oportunidade de tocar um instrumento. Daí em diante, me aperfeiçoei nos instrumentos de percussão, sua história, sua importância religiosa e a técnica para confeccioná-los. E teria agora a possibilidade de entrar em contato com um novo universo musical.
== Essa Banda me chamou a atenção ==
Comentei o assunto no trabalho.A professora Carla Gastaud, ex-diretora do Museu da Baronesa, sabendo do meu interesse pela dita banda comenta:— é uma pena uma história tão bonita estar sendo perdida, os documentos estão todos extraviados, não há um histórico, o lugar é péssimo. No mesmo local, onde ocorrem os ensaios da banda, composta por uma maioria de senhores da terceira idade, os documentos mal acondicionados, precisando ser organizados.Não pensei duas vezes e topei o desafio. Fui conhecer o prédio e os horários de funcionamento.
== O arquivista no terreno ==
De inicio não sabia por onde começar. Não existia uma organização dos documentos. Muita sujeira. A sede em reformas. Porém, parecia-me importante construir um arquivo que permitisse organizar a documentação tanto administrativa quanto histórica da entidade centenária. Começo a fotografar o estado da sede e dos documentos, pensando em ouvir opiniões de meus colegas de trabalho. Talvez juntos pudéssemos ter algumas idéias de como acondicionar os documentos. Fui aconselhado a continuar limpando para depois fazer uma seleção.Após três semanas de limpeza, encontro entre os documentos o Livro de Sócios, de 1896, em excelente estado. Meu achado mais importante até aqui. Nesse documento encontramos figuras ilustres, como o escritor pelotense João Simões Lopes Netto, bispos, diversos políticos e pessoas das mais variadas profissões. A rotina do pincel é cansativa.Quase três meses, e ainda tenho muita coisa para pincelar. E sem saber o que fazer com material encontrado. Nenhum documento mencionava o que eu procurava — os negros que tocaram na banda musical. Sigo meu trabalho de limpeza.Dias depois, escondida em um fundo falso de um armário datado de 1915, encontro a bandeira original de fundação da SMUD, de 1896. O achado foi motivo de grande festa. Eu, que estava desanimado, no meio daquela poeira toda, sozinho, fiquei muito eufórico. A bandeira encontrada era uma prova viva de que eu poderia ter um papel muito importante nessa entidade. Maior do que até então eu havia imaginado. Fiquei assustado. Tive que parar meu trabalho. Sair pra contar a alguém o fato. O armário estava quase sendo jogado fora. Eu, na curiosidade, resolvi tirar o fundo do armário e a bandeira estava lá, em péssimo estado de conservação, rasgada e mofada. Mas era, para mim, uma relíquia. Apaixonei-me cada vez mais pelo trabalho que vinha realizando. Através da bandeira, considerada um objeto biográfico , foi possível idealizar a formação de um memorial construído dentro da perspectiva de valorização dos objetos que fizeram parte da trajetória da sociedade musical. Meses se passaram e eu continuava a limpar, limpar e limpar. Um dia pedi a ajuda de meus colegas para avançar os trabalhos que andavam muito lentamente. Fizemos um mutirão, realizamos naquele dia um trabalho que eu levaria meses fazendo.Enquanto o mutirão acontece, sou chamado pelo presidente que se mostra muito satisfeito com trabalho que venho fazendo. Entrega-me uma série de envelopes com documentos que estavam sob sua guarda, entregues a ele por um antigo secretário da sociedade. Nesses envelopes encontravam-se: livros, atas, recortes de jornais, uma edição do 60° aniversário da sociedade, o Informativo n° 9, algumas alterações nos estatutos e fotografias.Os artigos dos jornais de época, somados as fotografias que permaneceram guardadas com antigos sócios, constituem fontes insubstituíveis para a reconstrução histórica da memória da sociedade.Pensando a fotografia como memória de vida e levando em conta o alerta de Etienne Samain, mergulhamos nas fotografias da sociedade e no seu conteúdo, imaginando as circunstâncias identificadas dentro de uma ordem cronológica. Na semana seguinte, sou procurado por dois integrantes da diretoria que me propõem participação na nova diretoria como primeiro secretário.De cara eu aceitei com muito orgulho. A posse seria no dia sete de setembro de 2005, aniversário de 108 anos da entidade.O trabalho continua. Agora, o material já está preparado para a limpeza dos documentos.Inicio a separação dos documentos por áreas: partituras escritas à mão separadas de partituras impressas, livros atas, estatutos, fotos e quadros das diretorias anteriores. Após a limpeza e catalogação, inicia-se o processo de embalagem e tombamento dos materiais encontrados. Para o trabalho de embalagem juntam-se ao projeto voluntários do Museu da Baronesa. Recebo uma cópia da chave da sede, o que facilita o meu acesso. Levo alguns materiais para casa — atas, estatutos, e projetos. Concomitante, realizo leituras de trabalhos sobre a entidade, mas nada se refere aos negros. Encontro algumas fotos da diretoria. Alguns são negros. Nada sobre essa participação em particular.Na história de Pelotas, temos um fato marcante e motivo de orgulho para “alguns ilustres” pelotenses: a libertação dos trabalhadores escravizados em 1884, que possibilitou mais a distribuição de títulos (Barão dos Três Serros, por exemplo) do que a melhoria da qualidade de vida do “liberto”. Esta liberdade não era plena, estava condicionada a um contrato onde o trabalhador escravizado cumpriria ainda de cinco a sete anos de trabalhos gratuitos ao seu senhor. Mesmo com a abolição, a situação do negro continuou sob dependência econômica dos antigos patrões. A discriminação racial contra os descendentes de africanos era grande nos finais do século 19 em quase todo o Brasil, inclusive em Pelotas. Ótimos músicos, executantes de diversos instrumentos, os negros e seus descendentes foram barrados nas portas das nossas sociedades musicais pelo simples motivo de serem pretos ou mulatos. As principais entidades mantenedoras de bandas de música não os admitiam em seus quadros, sendo as mais destacadas Bellini, Santa Cecília, Lira Artística, Portuguesa, União Musical, Nova União e Apolo.Meu interesse foi sendo conduzido na direção de assinalar a participação da Sociedade Musical União Democrata no processo histórico-cultural da cidade de Pelotas, pois a sociedade, segundo jornal da época, foi a primeira sociedade musical a permitir negros no seu quadro de sócios . Os arquivos documentais da SMUD começaram a ser organizados no ano de 2004. Do manuseio interessado do conjunto de informações diversas, por vezes contraditórias, desencontradas, oriundas dos documentos, atas, fotografias e jornais, objetos biográficos de onde emergiram problemáticas que podem ser resumidas nas seguintes questões: podem os objetos biográficos contar a história da Sociedade Musical União Democrata através de um memorial que possa ser construído no confronto desses objetos com os dados oriundos de outras fontes de pesquisa. Pode a música representar a ascensão social do negro na sociedade pelotense. No mesmo tempo que buscamos reconstruir a trajetória da sociedade musical através dos objetos, pretendemos garantir a preservação da sua história através da sua memória, constituindo-se assim em um patrimônio para pesquisa histórica.
== No final: a opção pelo campo da memória ==
“Pela memória, o passado não só vem à tona das águas presentes, misturando com as percepções imediatas, como também empurra, “desloca” essas últimas, ocupando o espaço da consciência. A memória aparece como força subjetiva ao mesmo tempo profunda e ativa, latente e penetrante, oculta e invasora.” No campo epistemológico da história, escolhemos a memória como método para reconstituição histórica da Sociedade Musical União Democrata. A Sociedade foi constituída em 1896, com o intuito de formar uma orquestra que tivesse na sua formação pessoas de todas etnias, credos e classes sociais, já que as bandas existentes na época não admitiam entre seus quadros músicos negros. Criou-se um curso elementar prático e teórico de música, sendo, mais tarde, oferecido de forma gratuita à população pelotense. Na medida em que foram sendo identificados e analisados com base em metodologia adequada, os objetos biográficos representaram fonte principal de constituição do acervo. Guardados na sede da sociedade, construída em 1915, os objetos são testemunhas da trajetória da SMUD no decorrer dos seus 109 anos de atividade. Ao constituirmos o Memorial da Sociedade Musical União Democrata através dos objetos biográficos, iniciamos também o processo de tombamento da Banda da SMUD como patrimônio cultural imaterial da cidade de Pelotas e do Estado do Rio Grande do Sul. Patrimônio imaterial é uma idéia inovadora com um amplo conceito cultural, “que trata dos bens culturais como portadores de referência à identidade da memória dos diversos grupos que compõem a sociedade". O patrimônio cultural é um terreno em construção, fruto resultante de um exercício de poder, ainda que em muitos casos a sua justificativa seja apresentada em nome do perigo da destruição. O tombamento é um ato administrativo realizado com o objetivo de impedir que bens de valor histórico, cultural, arquitetônico, ambiental e de valor afetivo para a população, venham a ser destruídos ou descaracterizados, preservando assim a memória coletiva . O projeto de memorial da SMUD e o tombamento da Banda da SMUD contribuíram para um pensar crítico sobre a atuação cultural no intuito de levar a arte musical à todas as camadas da sociedade, oferecendo instrumentos para o exercício da cidadania. Foram observados aspectos como o diálogo entre o sujeito e os bens culturais, levando em conta a questão da inclusão social.
== Conclusão ==
O negro, após 118 anos da abolição, encontra-se ainda em situação de desvantagem de representatividade na sociedade. Isso pode ser percebido através da narrativa das minhas próprias memórias enquanto negro. Essa constatação também fica clara na memória da SMUD, objeto do meu estudo. Marcadas pelo preconceito, tanto a minha trajetória através das instituições de ensino quanto a da SMUD pelos espaços musicais, são experiências e tentativas de inserção do negro na sociedade.Dentro das estruturas sociais em que está inserida a SMUD, as lembranças são retomadas, principalmente, a partir de referências coletivas, diferentes das minhas que são individuais. Porém, a memória social nos aproxima e nos liga. Essa ligação permite compartilhamos uma visão de mundo e nos identificarmos como atores sociais. Após dois anos de pesquisa tendo a memória como método de reconstrução histórica da Sociedade Musical União Democrata, constituímos um memorial através dos objetos bibliográficos, documentos escritos e fotografias. Nesse momento pareceu importante formar um arquivo que permitisse organizar a documentação tanto administrativa quanto histórica visando disponibilizar tais documentos para novas pesquisas e até mesmo para consulta popular. Durante o trabalho verificamos que alguns objetos encontrados nas dependências da SMUD foram de grande importância como ícones de ligação com a trajetória de vida da instituição. No exercício de limpar, registrar, e catalogar, esses objetos biográficos foram dialogando com os documentos escritos na tentativa de formar um memorial mais completo. A partir de reconhecimento e reconstrução das lembranças, pude ter um novo olhar a respeito da participação do negro na sociedade pelotense. Diferente do que pensava eu, a SMUD surgiu mais como um espaço musical de convivência inter-étnica do que um espaço especificamente de negros. Essa constatação se deu pela falta de documentos que comprovem a presença efetiva de negros nas atividades iniciais da sociedade. Além disso, a escola de música organizada pela sociedade era inicialmente paga, o que inviabilizava a participação de muitos negros. Hoje a União Democrata mantém uma banda de caráter popular e a escola de música é gratuita, o que permite uma inclusão maior. Pretendo dar continuidade a essa pesquisa, pois existem mais perguntas a serem respondidas, e, muitos espaços a serem ocupados, tanto pela Sociedade Musical União Democrata, quanto por mim, negro e sujeito histórico.
== Referências bibliográficas ==
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Um comentário:

silvia disse...

Muito interessante essa mistura de relato pessoal e resgate histórico.
Percebi que o acervo que vem sendo recolhido é rico, mas tal vez possa ser complementado examinando jornais da época. Tenho certeza que na Biblioteca Pública de Pelotas existem muitos exemplares que podem ser consultados.
Fiquei admirada em ver que em 1887 se libertava escravos em troca de serviços por mais 6 ou 7 anos; mas haviam artigos dizendo que levaria pelo menos uma dúzia de anos antes dos escravos serem libertos.
Fiquei curiosa se houve alguma mudança no tratamento desses libertos sob contrato de serviços.